No ar
Coberturas

Noite memorável em Belo Horizonte: Memphis May Fire e Blessthefall consagram o peso do metalcore e post-hardcore no Mister Rock

Foto: @maximus_fotografias
Foto: @maximus_fotografias

Com abertura do Reckoning Hour, a “Shapeshifter World Tour” abriu sua turnê brasileira na capital mineira com uma emoção coletiva, energia no talo e uma interação histórica.

Por: Matheus de Oliveira

A passagem da Shapeshifter World Tour pelo Brasil já cravou seu espaço como um dos momentos mais intensos do circuito em 2026. Ao desembarcar na capital mineira na noite de 27 de agosto, a turnê conjunta entre Memphis May Fire e Blessthefall transformou o tradicional Mister Rock em um caldeirão de técnica apurada, moshpits furiosos e cumplicidade absoluta entre palco e pista, inaugurando a turnê brasileira com uma apresentação de fôlego invejável.

Reckoning Hour abre a noite com técnica e peso carioca

A responsabilidade de iniciar os trabalhos coube aos cariocas do Reckoning Hour, que subiram ao palco divulgando o novo álbum, Mantra. O grupo aqueceu a casa sem meias palavras: descarregou uma sequência de riffs velozes, passagens técnicas e breakdowns cortantes que ditaram o clima para quem foi em busca de intensidade, cumprindo o papel de recepcionar os primeiros moshpits da noite com categoria.

Blessthefall: ritmo implacável e o público no centro da ação

Na sequência, o Blessthefall tomou conta do palco impondo uma rotação avassaladora. Sem tempo para pausas protocolares ou respiros calculados, o quarteto norte-americano disparou um repertório conciso e direto de 14 composições. Hinos do post-hardcore contemporâneo como “Hollow Bodies”, “You Wear a Crown But You’re No King” e “Cutthroat” foram entregues com afinação cirúrgica e presença cênica agressiva.

O clímax veio na execução da derradeira “Hey Baby, Here’s That Song You Wanted”: rasgando as barreiras de contenção, o vocalista Beau Bokan desceu até o fosso para berrar cercado pela grade, enquanto o baixista Jared Warth pulou direto no meio da pista. A comunhão transformou o Mister Rock em um coro harmônico e caótico, apagando qualquer distância entre banda e plateia.

O retorno triunfal do Memphis May Fire após 12 anos

Encerrando um jejum de mais de uma década longe do Brasil, o Memphis May Fire assumiu o posto de atração principal com uma performance de peso irretocável. Ao longo de 17 faixas, o quinteto administrou com maestria a nostalgia de sua fase embrionária e a lapidação melódica dos lançamentos recentes. O equilíbrio se fez notar na costura precisa entre a carga emocional de clássicos como “The Sinner” e “Miles Away” e o impacto pesado de pedradas recentes como “Paralyzed”, “Bleed Me Dry” e a faixa-título “Shapeshifter”.

No comando da apresentação, Matty Mullins impressionou pela estabilidade técnica ao vivo, reproduzindo com fidelidade vocal invejável as melodias e drives de estúdio. Conectado e comunicativo com a recepção fervorosa do público belo-horizontino, Mullins liderou a banda sob a acústica pesada e bem desenhada da casa, garantindo densidade máxima a cada refrão cantado a plenos pulmões.

Longe de um simples exercício nostálgico, a noite consagrou o fôlego criativo, a entrega cênica e o poder de duas bandas fundamentais que continuam comandando os rumos do metalcore e do post-hardcore no palco.

Setlist – Memphis May Fire no Mister Rock
(Belo Horizonte/MG)

  1. The Sinner
  2. Vices
  3. Paralyzed
  4. Shapeshifter
  5. Bleed Me Dry
  6. Somebody
  7. Misery
  8. Left for Dead
  9. The Other Side
  10. Infection
  11. Overdose
  12. Make Believe
  13. Versus
  14. Love Is War

Bis: 15. Miles Away 16. Blood & Water 17. Chaotic

Setlist – Blessthefall no Mister Rock (Belo Horizonte/MG)

  1. You Wear a Crown But You’re No King
  2. Cutthroat
  3. Hollow Bodies
  4. 2.0
  5. What’s Left of Me
  6. Youngbloods
  7. Drag Me Under
  8. mallxcore
  9. Venom
  10. Promised Ones
  11. Guys Like You Make Us Look Bad
  12. 40 Days…
  13. Wake the Dead
  14. Hey Baby, Here’s That Song You Wanted

Matheus de Oliveira | Apresentador @12matheus Instagram

Biomédico e Doutor em Ciências da Saúde (Fiocruz Minas), une a precisão da pesquisa científica à paixão pelas guitarras e pelo bom e velho rock n’ roll. Especialista em biologia molecular, gamer e colecionador de fragrâncias, ele traz para o Hora do Rock um olhar detalhista sobre a música, conectando o rigor do laboratório com a energia vibrante do Hard Rock.

Continue lendo