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Luto no metal extremo: Conrad “Cronos” Lant, baixista e vocalista do Venom, morre aos 63 anos

Reprodução facebook: Venom
Reprodução facebook: Venom

Considerado um dos arquitetos do som extremo e pioneiro da estética do black metal, músico britânico teve o falecimento confirmado por nota oficial da família e da banda

O mundo da música pesada perdeu uma de suas figuras mais viscerais e determinantes. O baixista, vocalista e compositor britânico Conrad “Cronos” Lant, líder e voz fundamental do Venom, faleceu aos 63 anos. A confirmação foi dada através de comunicado oficial assinado pela banda e por seu filho, Nathan Lant, divulgado para a imprensa e fãs ao redor do mundo.

Até o momento, os canais oficiais da banda e os veículos internacionais de imprensa não divulgaram a causa da morte do músico.

O filho do artista prestou uma comovente homenagem em nome das “Legiões”, termo adotado para se referir à comunidade global de fãs do Venom:

“Quero agradecer a todas as Legiões por todo o apoio que deram ao meu pai ao longo dos anos. Sei que ele realmente apreciou a todos vocês. Ele deu o seu coração, e sua música vai viver. A lenda do Cronos nunca morrerá”, declarou Nathan.

O nascimento do metal extremo e o impacto de Cronos

Nascido em Londres e criado na cena do norte da Inglaterra, Conrad Lant colocou o Venom na história do rock ao fundar as bases mais agressivas do underground nos primeiros anos da década de 1980. Rompendo com as convenções da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM), o trio formado ao lado de Mantas (guitarra) e Abaddon (bateria) moldou um estilo calcado em distorções ensurdecedoras, vocais rasgados e imagética satânica e anticlerical.

Lançado em 1981, Welcome to Hell desafiou os limites técnicos da época com sua velocidade e sujeira. No ano seguinte, em 1982, o álbum Black Metal não apenas batizou formalmente todo um subgênero que influenciaria nomes como Slayer, Metallica, Celtic Frost e toda a primeira e segunda onda do metal extremo nórdico, mas estabeleceu Cronos como uma presença de palco inconfundível.

Trabalhos subsequentes como At War With Satan (1984) e Possessed (1985) consolidaram a lenda da banda, mantendo o Venom em posição de culto por quatro décadas ininterruptas sob a liderança firme e intransigente do baixista e cantor.

Passagens pelo Brasil e episódios marcantes

O Venom construiu uma relação duradoura com os fãs brasileiros ao longo de quatro décadas, figurando como influência direta para bandas seminais do metal nacional, a exemplo do Sepultura e do Sarcófago.

A presença intensa e o temperamento confrontador de Cronos nos palcos também renderam episódios polêmicos fora deles. Em uma de suas passagens pelo país, no final de 2012, o músico gerou discussões na comunidade do metal local após desentendimentos com a imprensa brasileira nos bastidores, quando dispensou de forma áspera veículos especializados durante o credenciamento de entrevistas.

Apesar das controvérsias de bastidores inerentes ao estilo combativo e anti-midiático que sempre cultivou, sua contribuição como instrumentista, vocalista e criador de um dos sons mais influentes da música contemporânea permanece inquestionável.

Cronos deixa um legado que continuará a ecoar sempre que guitarras aceleradas e amplificadores no limite forem ligados em qualquer canto do planeta.

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