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A Última ponta foi acesa em bairro especial para BNegão, e assim nos despedimos do Planet Hemp em BH

O evento, que estava inicialmente marcado para o BeFly Hall, teve seu local alterado pela primeira vez para o La Vista Beagá, no Belvedere, e, faltando uma semana, foi remarcado novamente. Santa Tereza, região boêmia de Belo Horizonte, bairro onde surgiram gigantes da música como o Clube da Esquina e o Sepultura, recebeu, dessa vez, os cariocas do Planet Hemp no Mercado Distrital. Um lugar que não costuma sediar eventos desse porte, mas que trouxe para o show a cara do começo da banda: bem underground e visceral.

Com aproximadamente 9 minutos de atraso, a introdução começa com um livro no telão contando a história da banda desde os primórdios, citando Skunk , fundador do Planet, que, após sua morte em 1994 quase decretar o fim do grupo, foi sucedido por BNegão, que assumiu o outro vocal. A banda seguiu em frente, assinando contrato com a Sony Music e lançando seu primeiro álbum no ano seguinte.

O show começa com “Dig Dig Dig”, canção do álbum Usuário, deixando todo mundo maluco logo de cara com um clássico. Em seguida, “Ex-Quadrilha da Fumaça” mostra quem tá de volta na praça. Na sequência, “Fazendo a Sua Cabeça” mantém a empolgação de todos nesse trio de abertura impecável.

“Raprocknrollpsicodeliahardcoreragga” traz mais peso ao show, com a plateia abrindo as primeiras rodas na pista, incentivada pela dupla de vocalistas, que mostrava uma energia invejável para uma banda com quase 30 anos de estrada e D2 pulando como se fosse um garoto.

Mesclando clássicos dos três primeiros álbuns e músicas do último lançamento, Jardineiros, o setlist avançava acompanhado de um storytelling que narrava a trajetória da banda, incluindo as perseguições policiais sofridas nos anos 90. Em 1997, inclusive, eles foram detidos em Belo Horizonte e, logo depois, presos em Brasília por apologia à maconha.

Nesse momento do show, BNegão pede para apagarem as luzes do palco e para a plateia acender os isqueiros e celulares, puxando “Cadê o Isqueiro”, hino canabista, seguido de “Quem Tem Seda”, do álbum A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000).

Em “Salve, Kalunga”, BNegão pede para abrirem uma roda gigante no centro da pista e o caos se instaura. Ao final, ele pede uma ainda maior, e até quem não estava no meio se rende à maior manifestação de entrega num show de rock. A cada música mais pesada, as rodas voltam quebrando tudo, e a banda pede mais uma vez que aumentem o tamanho da roda, impressionando qualquer um. E não adianta reclamar: isso é hardcore!

O nome da próxima música é autoexplicativo: “100% Hardcore”. Os envolvidos circulam a pedido da banda, como uma formiga gigante, ao som de “Ô gira, deixa a gira girar”, com direito a sinalizadores acesos no olho do furacão.

“Samba Makossa”, de Chico Science, é cantada à capela antes da banda entrar e tocar esse clássico do Nação Zumbi, que inclusive ganhou uma versão de D2 junto com Chorão no Acústico MTV do Charlie Brown Jr.

Logo em seguida, D2 vem à frente do palco agradecer ao público pelo esforço e compreensão, pois houve muita dificuldade para fazer o show acontecer. “A Culpa é de Quem” começa com os presentes gritando com toda força seu refrão, um dos pontos mais altos da noite, pura entrega.

“Contexto” começa com o refrão cantado pela plateia, até a banda entrar e todos responderem a cada pergunta de “quem é que joga fumaça pro alto?” Planet Hemp!

No final de “Contexto”, começam as apresentações, com a plateia ovacionando cada músico, todos merecendo os aplausos pela entrega e performance. Aquela pausa dramática acontece, com o público pedindo o bis: “mais um, mais um, mais um!”

No telão, surge o último capítulo da história, marcando o dia 31/10/2025 como o último show do Planet em BH. “Deisdazseis” é puxada com beatbox, música que tem colaboração e é cantada por Black Alien, rapper carioca que fez parte da banda de 1997 a 2001.

A saideira, “Mantenha o Respeito”, vem depois dos vocalistas se apresentarem: Bernardo Ferreira Gomes dos Santos, o BNegão, e Marcelo Peixoto, mais conhecido como D2. E preste atenção…

Mais sinalizadores são acesos para finalizar o que, infelizmente, foi a despedida de uma das maiores bandas dos anos 90 e por que não dizer, da história do rock nacional.

Planet Hemp é:

Marcelo D2 – Vocal
BNegão – Vocal
Nobru – Guitarra
Formigão – Baixo
Pedro Garcia – Bateria

Setlist – Planet Hemp (Belo Horizonte, 31/10/2025)

  1. Dig Dig Dig (Hempa)
  2. Ex-Quadrilha da Fumaça / Fazendo a Cabeça
  3. Raprocknrollpsicodeliahardcoreragga
  4. Distopia
  5. Taca Fogo
  6. Mary Jane / Phunky Buddha
  7. Planet Hemp
  8. Legalize Já
  9. Não Compre, Plante!
  10. Jardineiro
  11. Queimando Tudo
  12. Onda Forte
  13. Nunca Tenha Medo
  14. Biruta
  15. Cadê o Isqueiro? / Quem Tem Seda?
  16. Puxa Fumo
  17. Adoled (The Ocean)
  18. Salve, Kalunga
  19. Gorilla Grip
  20. O Bicho Tá Pegando
  21. Mão na Cabeça
  22. Não Vamos Desistir
  23. Stab
  24. Procedência C.D.
  25. 100% Hardcore
  26. Zerovinteum
  27. Hip Hop Rio
  28. Samba Makossa / Monólogo ao Pé do Ouvido (Nação Zumbi cover)
  29. A Culpa é de Quem?
  30. Contexto

Encore:

  1. Deisdazseis
  2. Mantenh

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