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My Chemical Romance transforma o Allianz Parque em um grande encontro emo em noite chuvosa

My Chemical Romance - Créditos- @anendfor
My Chemical Romance - Créditos- @anendfor

A noite de sexta-feira, 6 de fevereiro, no Allianz Parque, foi um respiro para todos nós emos. Talvez eu tenha demorado pra contar essa experiência justamente porque precisava de um tempo para digerir tudo o que o My Chemical Romance entregou em uma sexta chuvosa em São Paulo, cenário que parecia feito sob medida para a volta da banda ao Brasil.

A abertura ficou por conta do The Hives, que voltou ao país com um show direto, barulhento e extremamente carismático. Abrindo com “Enough Is Enough”, a banda apresentou um setlist de 11 músicas que rapidamente aqueceu o público.

Pelle Almqvist mostrou mais uma vez por que é considerado um dos frontmen mais intensos do rock atual, se comunicando o tempo todo com os fãs e reagindo, visivelmente divertido, aos gritos apaixonados do público brasileiro. A banda inteira parecia à vontade no palco, entregando um começo de noite enérgico e à altura do que viria depois.

The Hives - Créditos- @bmaisca
The Hives – Créditos- @bmaisca

Pouco depois das 21h, o My Chemical Romance finalmente subiu ao palco. O show foi estruturado como uma apresentação em dois atos, algo que já vinha sendo comentado em resenhas da turnê. Desde o primeiro momento, ficou claro que não se tratava apenas de uma sequência de músicas, mas de uma narrativa visual cuidadosamente pensada.

O palco impressionava pela dimensão e pelos elementos cenográficos. O grande olho central, presente durante toda a apresentação, funcionava como um observador constante da história que se desenrolava ali. A banda iniciou com “The End.”, dando início à execução de The Black Parade na íntegra, álbum que marcou uma geração e que, ao vivo, ganha ainda mais força.Gerard Way conduziu essa primeira parte do show como um personagem, alternando momentos de presença intensa e outros mais contidos.

Ao seu lado, Ray Toro chamou atenção pela precisão e peso das guitarras, mantendo a dramaticidade das músicas sem perder impacto. Frank Iero, sempre inquieto, se movimentava pelo palco com energia quase caótica, enquanto Mikey Way sustentava a base com firmeza no baixo. Jarrod Alexander, na bateria, foi essencial para equilibrar intensidade e controle, especialmente nas músicas mais densas do álbum.

My Chemical Romance - Créditos- @anendfor
My Chemical Romance – Créditos- @anendfor

Em “I Don’t Love You”, o Allianz Parque virou um coro. O estádio inteiro cantava junto, iluminado por celulares, enquanto os telões mostravam a reação de Gerard, visivelmente impactado com a entrega do público brasileiro. Um daqueles momentos que acontecem naturalmente quando banda e plateia estão completamente conectadas.

Já em “Famous Last Words”, a produção atingiu um de seus pontos mais altos, com o palco tomado por chamas, luzes intensas e uma execução extremamente forte. A chuva, que seguia caindo, não atrapalhou em nada pelo contrário, parecia intensificar a atmosfera daquele encerramento do primeiro ato.

O segundo ato trouxe uma mudança clara de clima. A banda retornou com “Our Lady of Sorrows”, seguida por “Bury Me in Black”, agradando especialmente os fãs mais antigos. A sequência levou o público ao limite de energia quando começaram os primeiros versos de “Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)”, com o estádio inteiro pulando e cantando em uníssono.

My Chemical Romance - Créditos- @anendfor
My Chemical Romance – Créditos- @anendfor

O setlist ainda surpreendeu com “Sing”, faixa que não aparece com tanta frequência nas apresentações e que, pessoalmente, foi um dos momentos mais marcantes da noite por ser uma das minhas músicas favoritas da banda.

Na reta final, vieram “Helena”, cantada do início ao fim pelo público, e “Planetary (GO!)”, do álbum Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys (2010), transformando o Allianz Parque em uma grande pista de dança improvisada. “To the End” manteve o ritmo alto, seguida por “DESTROYA” e “I’m Not Okay (I Promise)”, que foi cantada com tanta força que ainda me pergunto como consegui ter voz no dia seguinte.

O encerramento ficou por conta de “The Foundations of Decay”, faixa que simboliza essa nova fase da banda e fechou a noite de forma intensa, deixando claro o peso desse retorno após tantos anos.

O show do My Chemical Romance em São Paulo foi um reencontro aguardado por 18 anos, construído com cuidado, impacto visual e uma execução musical sólida. Uma noite que mostrou por que a banda segue mobilizando multidões e entregando apresentações tão marcantes ao vivo.

Setlist — The Hives (06/02)

  • Enough Is Enough
  • Walk Idiot Walk
  • Rigor Mortis Radio
  • Paint a Picture
  • Bogus Operandi
  • Hate To Say I Told You So
  • Countdown To Shutdown
  • Legalize Living
  • Come On!
  • Tick Tick Boom
  • The Hives Forever Forever The Hives

Setlist — My Chemical Romance (06/02)

Primeiro ato – The Black Parade

  1. The End.
  2. Dead!
  3. This Is How I Disappear
  4. The Sharpest Lives
  5. Welcome To The Black Parade
  6. I Don’t Love You
  7. House Of Wolves
  8. Cancer
  9. Mama
  10. Sleep
  11. Teenagers
  12. Disenchanted
  13. Famous Last Words
  14. The End. (Reprise)

Segundo ato

  1. Our Lady Of Sorrows
  2. Bury Me In Black
  3. Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)
  4. Sing
  5. Helena
  6. Planetary (GO!)
  7. To The End
  8. DESTROYA
  9. I’m Not Okay (I Promise)
  10. The Foundations of Decay

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