Por Ênio Flávio S. Oliveira (editor do portal @orockempalavras) em parceria com Hora do Rock Web
Celebrar cinco décadas de carreira na música popular brasileira não é para qualquer um, e Djavan provou no dia 18 de julho de 2026 que sua obra permanece tão viva, sofisticada e arrebatadora quanto no primeiro dia.
Com uma trajetória que entrelaça MPB, rock, jazz, pop, samba e o puro suco do balanço brasileiro, o artista subiu ao palco para entregar uma noite histórica. O repertório escolhido baseado na sua consagrada turnê de hits, serviu como uma verdadeira antologia de sua genialidade poética e melódica, emoldurada por artes de fundo de palco impecáveis que enriqueceram visualmente cada narrativa musical.

O show começou em altíssima voltagem com clássicos imediatos. Logo no início, a emoção tomou conta do estádio com “Eu Te Devoro”. Foi nesse momento que o alagoano abriu o coração com o público: “Amo Minas, sempre me acolheram. Dedico o show ao Bituca”, disse ele, homenageando o eterno Milton Nascimento e já arrebatando a plateia mineira. Emendando sucessos como “Boa Noite” e “Cigano”, o cantor mostrou o quanto sua voz e presença de palco continuam magnéticas.
Em “Nem Um Dia“, um dos momentos mais íntimos da noite, Djavan pegou o violão, criando uma atmosfera profundamente emotiva antes de passar por “Miragem”.
O surto de manifestações emotivas do público continuou com as linhas suingadas de “Linha do Equador”, que preparou o terreno para mais um bloco intimista: logo após, ele permaneceu no violão para tocar a belíssima “Outono”. Na sequência, o artista conversou com o público sobre o processo de composição, destacando a importância da participação de todos na construção de sua trajetória e agradecendo o carinho de uma vida inteira. A definição perfeita desse sentimento veio com a canção “Um Brinde”, um verdadeiro agradecimento à vida e aos fãs. A resposta da plateia não poderia ser outra: um coro harmônico e ensurdecedor de “Djavan, eu te amo!” ecoou pelo espaço, ao que o cantor, visivelmente emocionado, respondeu: “Sou quem sou graças a vocês”.



O bloco acústico seguiu entregando pérolas em estado puro. “Meu Bem-Querer” rendeu aplausos calorosos, que ele fez questão de agradecer com reverência.
Depois, tocou “Oceano” inteiramente no violão, conduzindo o refrão acompanhado pelas vozes de milhares de pessoas que cantavam cada sílaba. O set acústico ainda contou com a sensibilidade de “Lambada de Serpente”.
A transição para o momento mais dançante veio logo após “Mal de Mim”. Quebrando a melancolia, Djavan voltou ao centro do palco vestindo óculos escuros e sob um ritmo extremamente animado para cantar “Azul”, transformando o local em uma grande festa, mesmo azul sendo a cor do rival do estádio onde residia o espetáculo.
Após a performance de “Açaí”, o cantor reservou um espaço para uma das homenagens mais bonitas da noite. Ele relembrou que Gal Costa gravou 13 músicas de sua autoria e declarou: “A Gal era a minha maior intérprete”. Elogiou a musicalidade marcante da cantora, reforçou o quanto ela entendia perfeitamente o seu som e desabafou sobre a falta imensa que ela faz na cultura brasileira. Sob forte emoção, anunciou e tocou “O Vento”.
O show então entrou em sua reta final com uma sequência avassaladora de hits. “Se…” entrou agitando as arquibancadas e a pista, reafirmando-se como um dos maiores clássicos da nossa música, seguida pela levada contagiante de “Me Leve” e a poesia visual de “Pétala”.
Um dos pontos altos de sofisticação veio no medley de “Serrado / Fato Consumado / Flor de Lis”. Logo após esse momento, Djavan fez uma revelação de bastidores: contou que sempre quis trazer para o palco uma canção que nunca havia tocado ao vivo, uma homenagem ao lendário saxofonista norte-americano David Sanborn (que comandava o clássico programa de TV Sunday Night nos anos 80). Foi a deixa para a execução primorosa de “Quase de Manhã”.
Após a suingada “Seduzir”, Djavan fez questão de apresentar o supergrupo de músicos virtuosos que o acompanha, indivíduos que dão vida nova aos seus arranjos tão complexos e cheios de grooves. O ápice do balanço veio com “Samurai”, momento em que o cantor elogiou o astral inacreditável do show em Belo Horizonte.
A energia se manteve no topo com “Lilás”, que botou todo mundo para dançar novamente, acompanhada por uma linda homenagem visual com lanternas iluminando de lilás e amarelo todo o estádio. A música foi sucedida pela emocionante “Um Amor Puro”, que embalou os casais apaixonados presentes.
Para fechar com chave de ouro, o bis trouxe a reprise de “Sina”, entoada da forma mais animada e alto-astral possível.
Sem dúvidas, uma noite histórica e um show feito para ficar guardado na memória. Uma apresentação obrigatória não apenas para os fãs de MPB, mas para os amantes do rock, do jazz, do pop e de absolutamente qualquer ritmo que saiba admirar e reverenciar a arte da música em sua forma mais sublime.





Setlist Djavan – Tour: Djavanear 50 anos – Só sucessos – Arena MRV -18/07
- Sina (Abertura)
- Eu Te Devoro
- Boa Noite
- Cigano
- Nem Um Dia
- Miragem
- Linha do Equador
- Outono
- Um Brinde
- Meu Bem-Querer (Acústico)
- Oceano (Acústico)
- Lambada de Serpente
- Mal de Mim
- Azul
- Açaí
- O Vento
- Se…
- Me Leve
- Pétala
- Medley: Serrado / Fato Consumado / Flor de Lis
- Quase de Manhã
- Seduzir
- Samurai
- Lilás
Bis:
25. Um Amor Puro
26. Sina (Reprise)



