Poucas bandas conseguiram redefinir o conceito de peso dentro do rock como o Deftones. Formado em Sacramento, Califórnia, no final dos anos 1980, o grupo liderado por Chino Moreno construiu uma carreira marcada pela recusa a rótulos fáceis e pela busca constante por novas texturas sonoras. Em um cenário dominado por fórmulas, o Deftones escolheu o caminho mais arriscado: o da experimentação emocional e estética.

Desde o lançamento de Adrenaline (1995), a banda já demonstrava que seu som ia além da agressividade típica do metal alternativo da época. Havia ali uma tensão constante entre explosão e introspecção, algo que se tornaria um dos pilares da identidade do grupo. Em vez de apenas riffs rápidos e vocais rasgados, o Deftones apostava em atmosferas densas, climas quase sufocantes e letras carregadas de subjetividade.
A virada com Around the Fur e o impacto de White Pony
Com Around the Fur (1997), o Deftones alcançou projeção global. O disco trouxe uma sonoridade mais lapidada, sem perder a agressividade, e apresentou ao mundo uma banda que conseguia dialogar com o mainstream sem abrir mão de sua essência. No entanto, foi com White Pony (2000) que o grupo redefiniu sua própria história.
Considerado um dos álbuns mais importantes do rock moderno, White Pony rompeu definitivamente as barreiras entre metal, rock alternativo e música experimental. Faixas como “Change (In the House of Flies)” e “Digital Bath” mostraram que o silêncio, a melancolia e a sutileza podiam ser tão impactantes quanto a distorção extrema. O disco não apenas consolidou o Deftones como referência artística, mas também influenciou uma geração inteira de bandas.
Os anos seguintes foram marcados por altos e baixos. O Deftones nunca se acomodou, lançando álbuns que dividiram opiniões, mas sempre refletiram honestidade artística. A morte do baixista Chi Cheng, em 2013, representou um dos momentos mais difíceis da trajetória da banda, mas também reforçou o caráter resiliente do grupo.
Discos como Diamond Eyes (2010) e Koi No Yokan (2012) são frequentemente citados como exemplos de maturidade sonora, enquanto Ohms (2020) reafirmou a relevância do Deftones em um cenário musical completamente transformado pelas plataformas digitais e novas tendências.
Mesmo com uma carreira iniciada nos anos 1990, o Deftones vive atualmente um novo ciclo de relevância impulsionado pela Geração Z. Plataformas como TikTok, Spotify e YouTube tiveram papel central nesse processo, apresentando o som da banda a um público que não viveu o auge do nu metal ou do rock alternativo daquela época.
Músicas como “Change (In the House of Flies)”, “Be Quiet and Drive (Far Away)” e “My Own Summer (Shove It)” passaram a circular em vídeos, playlists e conteúdos audiovisuais, muitas vezes associadas a narrativas introspectivas e estéticas melancólicas.
Esse tipo de consumo dialoga diretamente com a proposta sonora do Deftones, marcada por atmosferas densas, emoções ambíguas e letras abertas à interpretação. Para muitos jovens, a banda deixou de ser apenas um nome histórico do rock para se tornar uma referência contemporânea, capaz de traduzir sentimentos de isolamento, ansiedade e identidade. Esse fenômeno ajuda a explicar por que o Deftones segue atraindo públicos diversos e intergeracionais, mantendo sua relevância mesmo décadas após sua formação.
Relação com o Brasil e expectativa para o Lollapalooza 2026
A relação do Deftones com o público brasileiro é intensa e antiga. Cada passagem pelo país é marcada por shows carregados de emoção, entrega e uma conexão quase ritualística com os fãs. No Lollapalooza Brasil 2026, a banda chega como um dos grandes pilares do rock pesado no festival.
A apresentação do Deftones promete ser uma experiência sensorial completa, unindo peso, atmosfera e emoção. Para o público, será a chance de testemunhar ao vivo uma banda que não apenas sobreviveu ao tempo, mas ajudou a moldar o rock das últimas três décadas.



