Resenha por Ênio Flávio S. Oliveira (@orockempalavras), em parceria com o portal Hora do Rock.
O Mister Rock ficou pequeno neste último domingo, 09/11/2025, com o retorno triunfante do HammerFall a Belo Horizonte. A banda sueca, trazida pela produtora Dark Dimensions, entregou um espetáculo vibrante, costurado por um setlist que atravessou quase 30 anos de trajetória do início clássico às fases mais modernas.

Com casa cheia, público afiado e clima de celebração, o show funcionou como uma verdadeira linha do tempo sonora, alternando hinos eternos e composições recentes que mostram que o martelo ainda está longe de cair. A abertura ficou por conta dos paulistas do Throw Me the Wolves, que apresentaram seu death metal pela primeira vez na capital mineira.
A apresentação começou com “Avenge the Fallen”, faixa do álbum homônimo lançado em 2024, marcando a fase mais atual da banda, mais madura e polida. Em seguida, o público foi conduzido à era clássica com “Heeding the Call”, do álbum Legacy of Kings (1998), recebida com gritos que quase abafavam os vocais de Joacim Cans.
Já nesse momento, Oscar Dronjak começou a sentir algumas falhas técnicas, e a banda frequentemente se direcionava ao técnico de palco para tentar ajustar problemas que visivelmente os incomodavam. No setlist oficial, a terceira música deveria ser “Any Means Necessary”, mas foi retirada, provavelmente pela impossibilidade de executá-la com qualidade naquela noite.

Na sequência, “Hammer of Dawn” (2022) reforçou a força da fase moderna, enquanto “Freedom” e “Renegade”, ambas do clássico Renegade (2000), reacenderam a nostalgia. O Mister Rock se transformou em um enorme coral, com fãs de todas as idades cantando cada estrofe. “Hammer High”, do álbum Built to Last (2016), colocou os punhos no alto, seguida por “Last Man Standing” (2019), que marca a transição da banda para uma sonoridade contemporânea e energética. Joacim Cans, sempre carismático, conversava com o público entre as músicas, perguntando quem estava ali pela primeira vez e quem queria ouvir mais clássicos naquela noite.
A intensidade aumentou com “Fury of the Wild”, do pesado Chapter V (2005), que resgatou a fase mais sombria e épica do HammerFall. Foi nesse momento que um problema técnico no equipamento de Oscar gerou um breve intervalo improvisado, encarado com bom humor pelos fãs. A banda chegou a tocar quase toda a música instrumental enquanto tentava resolver a falha. Logo depois, retomaram o ritmo com o tradicional “Chapter V: The Medley”, passando por diferentes eras da banda em poucos minutos.

O peso da história voltou com “Let the Hammer Fall”, com as coreografias clássicas das guitarras, e com “Glory to the Brave”, ambas do álbum Glory to the Brave (1997), dois pilares absolutos do power metal moderno. Na reta final do set, ainda vieram “The End Justifies” (2005) e o hino sueco “(We Make) Sweden Rock” (2019), reacendendo a energia antes do bis. Para o retorno, o HammerFall escolheu a poderosa “Hail to the King”, preparando o terreno para o encerramento apoteótico com “Hearts on Fire” (2002), o maior hit da banda e o ponto de explosão coletiva no Mister Rock.
O HammerFall mostrou que não vive apenas da nostalgia: transita com segurança entre os clássicos que moldaram o gênero e os lançamentos recentes que mantêm a chama acesa e o martelo erguido. Entre riffs precisos, vocais firmes e um público apaixonado, mesmo com paradas e falhas técnicas, o show no Mister Rock foi um lembrete de que certos ícones do metal continuam felizmente inabaláveis, inquebráveis e imparáveis.
HammerFall é:
Joacim Cans (vocal)
Oscar Dronjak (guitarra)
Pontus Norgren (guitarra)
Fredrik Larsson (baixo)
David Wallin (bateria)
Setlist – HammerFall em Belo Horizonte (09/11/2025)
- Avenge the Fallen
- Heeding the Call
- Hammer of Dawn
- Freedom
- Renegade
- Hammer High
- Last Man Standing
- Fury of the Wild
- Chapter V: The Medley
- Let the Hammer Fall
- Glory to the Brave
- The End Justifies
- We Make Sweden Rock
— Encore —
- Hail to the King
- Hearts on Fire







