Por Ênio Flávio S. Oliveira (editor do portal @orockempalavras) em parceria com Hora do Rock Web
Um pedaço de Gotemburgo no Memorial América Latina, foi assim que o In Flames incendiou o Bangers Open Air, em São Paulo,e foi, sem dúvida, um dos pontos altos do festival. A banda sueca, que possui uma relação histórica e visceral com o público brasileiro, subiu ao palco reafirmando seu status de gigante do melodic death metal. A performance entregou um equilíbrio perfeito entre a nostalgia dos anos 2000 e a agressividade moderna, para o delírio dos Jesterheads.

A formação atual do In Flames é, possivelmente, uma das mais sólidas e tecnicamente capazes que a banda já teve. O alicerce continua sendo a dupla Anders Fridén (vocais) e Björn Gelotte (guitarra), que comandam o palco com a autoridade de quem moldou o som de Gotemburgo.
Contudo, é impossível ignorar o impacto dos músicos que completam o time:
Chris Broderick (guitarra): Sua integração trouxe uma precisão cirúrgica aos riffs e solos. Ele não apenas executa as partes clássicas com perfeição, mas adiciona um brilho técnico que eleva as composições mais recentes. O ex-Megadeth possui uma presença de palco fora do comum.
Jon Rice (bateria): O norte-americano assumiu as baquetas recentemente, substituindo Tanner Wayne (que esteve com a banda de 2018 a 2023). Rice já é um rosto conhecido na cena do metal, com passagens por bandas como, Job for a Cowboy e Uncle Acid & the Deadbeats, além de turnês com o Behemoth.
Liam Wilson (baixo): Trazendo uma base robusta e o peso fundamental para a sonoridade atual, sua presença é intensa e essencial para a “parede de som” criada pelo grupo.
Juntos, eles funcionam perfeitamente bem, onde o entrosamento permite que Anders se concentre em sua performance vocal que está cada vez mais versátil e na interação com a plateia paulistana.



O setlist apresentado no Bangers Open Air foi um passeio inteligente pela discografia da banda, estrategicamente dividido para manter o público engajado. A abertura com “Pinball Map” foi uma declaração de intenções: agressiva, técnica e icônica.
Seguir com “The Great Deceiver” e “Deliver Us” provou que a banda confia plenamente em seu material recente. Destaque para “Cloud Connected” e “Trigger”, que funcionaram como catalisadores de energia. É impressionante como essas faixas, mesmo após duas décadas, continuam soando contemporâneas.
O meio do set trouxe faixas como “The Quiet Place”, “In the Dark” e “Voices”, explorando um lado mais melódico e alternativo. “Only for the Weak” foi, previsivelmente, um dos momentos mais celebrados. O frontman alternou entre agressividade e interações bem-humoradas, chegando a pedir silêncio absoluto antes de explodir no clássico pulo coletivo: “Se não pularem conosco, não vamos tocar”, brincou.
O In Flames não vive apenas de passado. A inclusão de “Meet Your Maker” e “State of Slow Decay” mostrou que a banda recuperou a agressividade de seus primórdios. “The Mirror’s Truth” e “I Am Above” mantiveram a intensidade no topo, preparando o terreno para o desfecho.
Encerrar com “Take This Life” é uma jogada de mestre. Uma música visceral que resume a essência da banda: riffs memoráveis, bateria frenética e um refrão explosivo. Foi o encerramento perfeito para mostrar que a alma do grupo continua intacta.
A Suécia no palco do Memorial
O show no Bangers Open Air além de ser um combo de sucessos também mostrou a vitalidade da banda. Ao final, eles foram ovacionados com o tradicional coro brasileiro, e os músicos ficaram visivelmente emocionados, prometendo não demorar para voltar.
O show foi descrito por muitos como “irretocável”, reforçando a conexão inabalável da banda com o Brasil. Vale destacar que o In Flames já está confirmado como headliner nos principais festivais europeus, como o Wacken Open Air.
In Flames é:
Anders Fridén – Vocal
Björn Gelotte – Guitarra solo
Chris Broderick – Guitarra rítmica
Liam Wilson – Baixo
Tanner Wayne – Bateria
Setlist: In Flames no Bangers Open Air (25/04/2026)
- Pinball Map
- The Great Deceiver
- Deliver Us
- The Quiet Place
- In the Dark
- Voices
- Cloud Connected
- Trigger
- Only for the Weak
- Meet Your Maker
- State of Slow Decay
- Alias
- The Mirror’s Truth
- I Am Above
- Take This Life









