O que era para ser uma noite de despedida e celebração da carreira de Glenn Hughes acabou se tornando preocupação e frustração por parte dos fãs do britânico de 74 anos.

Após uma passagem em abril pelo Bangers Open Air, uma turnê sul-americana foi anunciada com cinco datas no Brasil, com produção da Dark Dimensions entre elas, a apresentação no Mister Rock, em Belo Horizonte. Mas, diferente do show do início do ano, que revisitava sua época de Deep Purple, a tour The Chosen Years abre mais o leque sobre toda sua carreira solo e também das bandas pelas quais passou, como o próprio Deep Purple, Trapeze, Black Sabbath e Black Country Communion.
Para aquecer e preparar o público, foram escolhidos os “crias da casa”: Electric Gypsy!
Os jovens belorizontinos são uma das maiores revelações dos últimos anos do hard rock brasileiro, participando frequentemente de festivais e turnês pela América do Sul e Europa com gigantes do rock e do metal mundial, como Paul Di’Anno (ex–Iron Maiden), Joe Lynn Turner (ex–Deep Purple, Rainbow) e Dave Evans (ex–AC/DC).

O Gypsy subiu ao palco pontualmente às 19h30 com “More Than Meets the Eye”, do álbum Mothership. Muitos fãs dos ciganos estavam na casa, mas a grande massa talvez ainda não conhecesse a banda, mesmo sendo de BH. Com o passar das músicas, até quem nunca tinha ouvido falar se empolgou com o som executado com excelência pelos meninos que, inclusive, tocaram “Girls, Girls, Girls”, do Mötley Crüe, que não estava prevista no setlist, para se aproximar ainda mais da galera.
O frontman Guzz mostrou muito carisma, interagiu bastante com o público, puxou gritos e aplausos o tempo inteiro e foi muito bem recebido. Mal sabia ele que a noite ainda reservaria um momento maior para ele.
O Electric Gypsy encerrou sua participação com seu maior hit, “Shoot ’Em Down”, do álbum de estreia homônimo, com o refrão sendo cantado pela maioria dos presentes, deixando excelente impressão até para quem os via pela primeira vez.



Às 21h chegou o momento da lenda subir ao palco. Sem cerimônia, Glenn Hughes entra com “Soul Mover”, e logo de cara já solta seus lindos agudos, deixando todo mundo impressionado. Glenn esbanjava carisma e agradeceu bastante ao público brasileiro, reforçando várias vezes que o Brasil é seu país favorito para se apresentar.

Ele estava muito bem e parecia comemorar cada nota alta alcançada. Ainda tivemos “Muscle and Blood” e “Voice in My Head” executadas por completo pela banda. Mas foi em “One Last Soul”, do Black Country Communion, que as coisas desandaram. No meio da canção, Glenn abandona o palco acompanhado por um membro da equipe, e logo percebemos que algo estava errado.
Pouco depois, fomos informados pelos responsáveis que ele havia tido um mal-estar por desidratação e tentaria retornar.
Durante o ocorrido, uma amiga da produção me pediu ajuda para correr até a farmácia e comprar um reidratante. Nesse meio tempo em que eu estava fora, fui informado de que Glenn ainda tentou voltar ao palco, mas novamente foi impedido pelo mal-estar.
Ao retornar ao Mister Rock, entreguei o remédio para a produção, e aguardamos mais alguns minutos para ver se ele conseguiria continuar. Até que o produtor subiu ao palco informando que Glenn não teria condições de retornar, apesar de já estar melhor.

O público pareceu entender e aplaudiu o músico. Diante disso, a banda convidou Guzz (Electric Gypsy) para assumir os vocais e finalizar o show. O guitarrista Soren Andersen pediu compreensão e sugeriu que o público opinasse no repertório.
Eles começaram com “Highway Star”, do Deep Purple, seguida por “Burn”, com Guzz totalmente à vontade e mandando muito bem.

Para encerrar, o baterista Ash Sheehan largou a bateria e veio à frente do palco puxar “Highway to Hell”, do AC/DC. Enquanto isso, Robert Zimmermann, também do Gypsy, assumiu as baquetas. A banda ainda fez uma jam com “Paradise City”, do Guns N’ Roses, e encerrou essa que acabou sendo uma melancólica despedida de uma lenda viva do rock mas que nos lembra que artistas também são seres humanos.


Ao final da apresentação, Soren desceu para atender alguns fãs, conversou, tirou fotos e distribuiu simpatia.
Muitas palhetas foram distribuídas por membros da equipe. Aqui estão os modelos usados por Hughes e Andersen e o merchandising contava com três modelos de camisetas por R$ 150 e um copo por R$ 35.


Glenn Hughes – Vocal e baixo
Soren Andersen – Guitarra
Ash Sheehan – Bateria
Setlist – Glenn Hughes ( Belo Horizonte 13/11/2025)
- Soul Mover
- Muscle and Blood
- Voice in My Head
- One Last Soul (interrompida quase no fim)
- Can’t Stop the Flood (interrompida no meio)
Setlist – Com Guzz no vocal
- Highway Star
- Burn
- Highway to Hell / Paradise City


